A campanha Novembro Azul consolidou-se internacionalmente como um marco para a conscientização sobre a saúde masculina, especialmente no que se refere à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de próstata.
Apesar dos avanços na comunicação em saúde, observa-se que homens continuam a procurar serviços médicos em menor frequência.
Apesar dos avanços na comunicação em saúde, observa-se que homens continuam a procurar serviços médicos em menor frequência.
Este comportamento resulta em maior morbimortalidade por condições preveníveis e é influenciado por fatores socioculturais, comportamentais e estruturais amplamente discutidos pela literatura científica.
A construção social associa a busca por ajuda médica com a fragilidade, dependência e perda de autonomia. Pesquisas realizadas até 2021 mostram que homens têm menor adesão a consultas regulares, exames preventivos e acompanhamento clínico mesmo quando apresentam fatores de risco estabelecidos. Essa resistência é ampliada por percepções equivocadas de invulnerabilidade, menor familiaridade com o sistema de saúde e lacunas de educação sanitária. Tais comportamentos resultam em diagnóstico tardio: segundo a Organização Mundial da Saúde, o câncer de próstata permanece como o segundo tipo mais frequente entre homens e um dos principais responsáveis por anos de vida perdidos globalmente.
Além das barreiras individuais, fatores estruturais também contribuem para a baixa procura por atendimento, como jornadas extensas, dificuldades de acesso e ausência de políticas institucionalizadas de promoção da saúde masculina. Neste cenário, a Medicina do Trabalho destaca-se como um ponto estratégico e privilegiado de intervenção. Por estar inserida no cotidiano laboral e ter acesso regular aos trabalhadores, a especialidade permite identificar precocemente fatores de risco, realizar triagens oportunistas e promover práticas de educação em saúde baseadas em evidências, reduzindo assimetrias de informação e estimulando comportamentos preventivos.
A literatura da última década demonstra que programas de saúde do trabalhador, quando estruturados com enfoque preventivo e não apenas pericial, aumentam significativamente a adesão masculina a exames clínicos, rastreamentos e intervenções comportamentais. As consultas periódicas previstas no Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) constituem oportunidade singular para abordar temas sensíveis, como saúde mental, uso de substâncias, doenças cardiovasculares e câncer de próstata. Condições altamente prevalentes e frequentemente negligenciadas na população masculina.
Homens apresentam maior mortalidade prematura por doenças crônicas não transmissíveis, menor expectativa de vida em relação às mulheres, taxas mais elevadas de acidentes de trabalho e menor participação em programas de rastreamento de câncer. Dessa forma, o Novembro Azul não deve ser compreendido apenas como campanha anual, mas como oportunidade para reforçar a necessidade de políticas permanentes que integrem saúde ocupacional, atenção primária e educação em saúde.
A atuação do médico do trabalho é essencial para romper barreiras históricas de acesso, promover diálogo qualificado e fomentar o cuidado integral do homem. Ao transformar o ambiente laboral em espaço de prevenção e vigilância em saúde baseada em evidências, a Medicina do Trabalho contribui substancialmente para reduzir desigualdades, melhorar indicadores e ampliar a detecção precoce de câncer e outras doenças de elevada carga epidemiológica.
Dr Tiago Rocha Fernandes de Sá
Medico do trabalho titulado AMB e Medico do Trafego Titulado AMB
Medico Coordenador PCMSO Embraer Ozires Silva SJC
Médico Coordenador das unidades do Vale do Paraíba da JSL / SIMPAR


