Novembro Azul

Novembro Azul

O Novembro Azul tem o objetivo de conscientizar a população para o câncer de próstata e sua identificação precoce, por isso devemos nos concentrar no que mais reflete a realidade dos médicos a respeito da doença.

O câncer de próstata é a doença que mais mata os homens, quando eliminamos os cânceres de pele não melanoma. Isso é um dado importantíssimo, pois atinge globalmente um a cada seis homens (15%); quando consideramos os homens acima de 60 anos, podemos chegar a 40%! Quase todos os homens, a partir dos 90 anos, vão ter câncer de próstata e possivelmente morrerão sem ao menos saber sobre a etiologia e nem sentirão ou precisarão saber disso, pois alguns deles são indolentes o suficiente para causar danos ou quaisquer malefícios que prejudiquem essa pessoa.

Porém alguns desses cânceres, quando detectados em adultos jovens, podem apresentar comportamentos agressivos a ponto de prejudicar e trazer repercussões clínicas, metástase com consequências irrecuperáveis, por isso a importância da prevenção (nesse caso, a detecção precoce). O câncer de próstata possui múltiplas faces: pode ser indolente ou ao contrário, até bem agressivo e entre essas faces existem algumas outras categorias. Nisso tudo reside o que é mais importante: a detecção precoce e o rastreamento.

Rastreamento

Quando iniciar? Pela Sociedade Brasileira de Urologia, os homens a partir dos 45 anos com história familiar de câncer de próstata em 1º grau (pai, irmão, tio) ou afrodescendentes possuem fator de risco e devem iniciar o exame preventivo mais cedo que a população geral, que deve iniciar a partir dos 50 anos. Esse acompanhamento pode ser anual ou a cada dois anos. A investigação inicial é realizada através do exame do PSA e o exame digital da próstata através do toque retal (em busca de nódulos endurecidos). Não há tempo limite até quando rastrear, porém é consenso que o tratamento e acompanhamento se daria para pacientes com expectativa de vida de pelo menos dez anos, nos pacientes acima dos 75 anos.

PSA

 

Os níveis sanguíneos do PSA não se mantêm estáveis ao longo da vida, com tendência de elevação sérica com o avançar da idade. São quatro as características (ou refinamentos) de adequação do PSA: adequação para a idade, relação livre/total (ou % de PSA livre), velocidade de crescimento e densidade, ou seja, relação com o tamanho da próstata – quanto maior a próstata, deve ser maior a quantidade de PSA produzida. O PSA também aumenta quando estimulado por processos inflamatórios, infecciosos, manipulações da próstata (não aumenta pelo toque retal, mas sim por uma massagem prostática). Então nem sempre o valor referenciado no exame laboratorial deve ser levado em consideração. A ultrassonografia da próstata pouco contribui para o rastreio, pois não é possível através do ultrassom aferir densidades anormais, nodulações tumorais e o tamanho da próstata tampouco interfere nos sintomas e nos fatores de risco para câncer de próstata.

Sintomas

O câncer de próstata não apresenta sintomas até que esteja bem avançado e em 95% dos casos os sintomas são inespecíficos. Quando aparecem podem vir com dor óssea (mais especificamente na coluna ou bacia) e presença de sangue na urina ou no esperma. É comum o homem a partir dos 40 anos, apresentar queixas urinárias como acordar à noite para urinar, jato urinário mais fraco, hesitação, sensação de esvaziamento vesical incompleto, gotejamento terminal, esforço para urinar, dentre outros. A esse conjunto de sintomas damos o nome de Sintomas do Trato Urinário Baixo e podemos estar diante de uma hiperplasia prostática benigna (HPB), outra doença comum nos homens de “meia idade” e que, muitas vezes acaba passando desapercebida, pois “parece normal” mas atrapalha e muito a qualidade de vida de nossos pacientes. Nada custa, durante a anamnese, realizar esse questionamento a fim de identificar as queixas, pois se perguntar “Você urina bem?” O paciente vai sempre responder: “Urino ótimo Dr., acordo 3x para ir ao banheiro”. E isso não é legal, podemos estar diante de uma HPB, tratando-se de uma doença benigna mas que causa bastante sintoma e perda da qualidade de vida.

 

Tratamento

Todo esse rastreio com PSA, toque retal, em pacientes com idade acima de 45 ou 50 anos, tem como objetivo evitar biópsias de próstata desnecessárias, exame que realmente vai dar o diagnóstico histopatológico do câncer ou descartar a presença da doença, porém a biópsia da próstata é um exame muito invasivo e que pode trazer complicações sérias como prostatites, dor pélvica crônica, sepse, dentre outras.

Falando dos tratamentos do câncer de próstata temos, com a intenção de cura, a cirurgia que pode ser a convencional (prostatectomia radical a céu aberto), laparoscópica (realizada por vídeo) e a robótica (a mesma laparoscópica, porém melhorada com uma articulação robô-assistida). Esta última vem crescendo vertiginosamente, pois confere ao cirurgião urologista um amplo acesso ao compartimento prostático e grande possibilidade de dissecção dos feixes da ereção e preservação da uretra, possibilitando recuperação rápida da continência urinária e da potência sexual. Outra modalidade é a radioterapia externa da próstata, com a mesma taxa de complicações acrescentada de outras como dor pélvica crônica, retite e cistite actínica, cistite e hematúria de repetição, etc. O bloqueio hormonal nunca é realizado como terapia única com intenção de cura, e as outras modalidades normalmente são utilizadas em casos específicos em conjunto à cirurgia ou à radioterapia ou as duas juntas.

Alguns pacientes, com vida sexual ativa e tumores de baixo risco podem fazer acompanhamento através de uma vigilância ativa e não necessariamente serem submetidos ao tratamento mais agressivo com cirurgia ou radioterapia, pois como vimos, o câncer de próstata pode apresentar um comportamento indolente e por vezes o tratamento pode causar mais dano que o próprio tumor como disfunção erétil e incontinência urinária. Essa vigilância porém requer cuidado e acompanhamento próximo, com PSA e toque retal a cada 3 ou 6 meses, biópsia confirmatória e por aí vai…

Por enquanto, não há medicação profilática, nem alimento que evite o câncer de próstata. Existem hábitos gerais como evitar obesidade, tabagismo, sedentarismo, alimentação industrializada. Mas nada que possa concretamente evitar o aparecimento do câncer de próstata. O melhor mesmo é o diagnóstico precoce, então voltamos ao Novembro Azul como conscientização a um público normalmente arredio ao exame médico e à prevenção.

 

 

Dr Bruno Garcia Dias
CRM 178921 RQE 56470
Urologista pelo Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo
Pós graduação em Cirurgia Robótica
Bgdias@globo.com (11) 3230-3418
Www.drbrunogarcia.com.br

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