Conversando sobre Suicídio

Conversando sobre Suicídio

Conversando sobre Suicídio.

Este é um assunto pesado, difícil, mas precisamos falar sobre ele.

Ainda hoje um grande tabú que teve início em 1774 com o lançamento do livro OS SOFRIMENTOS DO JOVEM WERTHER de J.W. GOETHE.

Werther se mata com um tiro de revolver acima do olho direito após uma desilusão amorosa. Isto causou, na época, uma onda de suicídios na Europa da mesma forma (imitando a ficção).

O livro foi proibido e falar sobre suicídio também.

Apenas em 1874 tivemos o primeiro estudo sociológico sobre suicídio.

Em 1917, Freud aborda o suicídio – Nos estados melancólicos a agressividade dirigida a um objeto de amor perdido volta-se contra o próprio sujeito.

Hoje sabemos que falar é a melhor forma de evitar. Cerca de 90% dos casos pode ser evitado se as pessoas falarem sobre suas angustias.
Em 2017 a OMS dedicou o ano todo em combate ao suicídio.

O índice de suicídio tem subido muito, principalmente entre os jovens, no Brasil e no mundo.

O suicídio é um ato de franco desespero impulsivo ou premeditado.

O suicida não quer morrer, ele se mata para parar de sofrer.

O impulso do suicídio é momentâneo. Caso a pessoa consiga passar por este impulso, rapidamente ela se arrepende.

*dentre os principais fatores que podem desencadear o suicídio podemos citar: *

– 95% por desespero
– 5% não se explica
– 85% transtorno de humor – depressão, bipolaridade
– 35% uso abusivo de drogas, álcool. Aqui, a pandemia favoreceu bastante o aumento de casos.
– 11,6% transtorno de personalidade – borderline
– 10% esquizofrenia

Para cada suicídio levado a cabo, há muito mais pessoas que tentam o suicídio a cada ano, sendo que a tentativa previa é o fator de risco mais importante para o suicídio na população em geral.
Temos 1 morte/40 seg. 1 tentativa/3 seg., ao redor do mundo.

Em muitos casos, as pessoas que estão sofrendo em seus ambientes corporativos ou institucionais não demonstram ou falam a respeito.

Sabemos que transtornos psiquiátricos podem levar o indivíduo ao suicídio se não diagnosticados e tratados adequadamente. Assim o contato com o médico é fundamental para amenizar o sofrimento físico e psíquico.

Programas privados e politicas publicas robustas para a promoção de um ambiente de trabalho saudável (presencial ou remoto) nunca foram tão importantes, assim como a efetivação da Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio.

Que sociedade é essa que cria um vácuo e negligência o fato de se ter um grande número de pessoas que, com menos de 20 anos, acha que não tem mais nada para viver.
Angustia só passa se falarmos sobre ela. Falar, falar e falar.

Essa é a função do terapeuta que recebe a angustia do paciente, fica com ela e o paciente vai para casa bem, leve, estando o terapeuta preparado para se livrar desta angustia que recebeu.
Esta angustia muitas vezes vem pelos sintomas de depressão, síndrome do pânico, transtorno de ansiedade, entre outros.

*Quando a gente não fala, não grita pela angustia, a medicação se faz necessária. Por vezes, a pessoa pode ter acesso ao álcool, a drogas e parte da angústia sai, vai embora momentaneamente.
Outra maneira de lidar com angustia são as ideações suicidas e as mutilações*.

No Brasil, atualmente a média de suicídios de crianças e adolescentes entre 8 a 25 anos é de 40 por dia.

Esta angústia chega em um limite tão grande que não ouvimos mais as crianças. Quando um filho de 14 anos chega em casa bravo, batendo porta, a gente não imagina que ele está em sofrimento. Pensa que é imaturo, que é chato, e ele está sofrendo, por isso ele trouxe estas reações negativas para casa.

Até agora estava rindo com os amigos. Quando ele entra em casa, fica bravo com a comida que a mãe fez, fica bravo com o irmão, com o cachorro, com tudo e ninguém se dispõe a parar para ouvir o que está acontecendo com ele e, às vezes, o que está acontecendo com ele é que começou a gostar de uma menina e está com medo disso. Ele já está pensando no sofrimento que vai ter, como existe uma descrença no afeto ele sabe que vai chegar um momento que não vai dar certo. As vezes ele consegue falar para alguém, às vezes tenta se matar. Não morre e vai para o terapeuta e fala, precisa jogar isso para alguém, receber orientação e apoio adequados.

Se for a um barzinho com amigos e aquela amiga querida chega meio triste e começa a falar, logo dizem, nós estamos tendo prazer e não vai ficar falando coisas tristes aí. E a gente impede que o outro fale.

Vamos ouvir e acolher mais a nós mesmos e ao outro.

Winnicott chama isso dar holding para o adulto.

188- Ligue CVV – CENTRO DE VALORIZAÇAO DA VIDA. Instituição seria, com um trabalho maravilhoso.

A dor humana é muito parecida, só muda o nome, classe social, gênero.

Toda faculdade de medicina tem ambulatório gratuito.

Sugestões de filmes que abordam o tema:

“UM HOMEM CHAMDO OVE”
“ ROBINS WISH”
“ ESTA É A SUA MORTE”
“CONTROL”
“LOVE LIZA” A Comic Tragedy.
“IT´S MY PARTY”
“A PONTE”
“VIRGIN SUICIDES”
“MAR ADENTRO”
“AS VANTAGENS DE SER INVISIVEL”
‘POSSUIDOS”
‘AS HORAS”
“ENSINA-ME A VIVER”
“UNITED93”
“VERONIKA DECIDE MORRER”
“DIREITO DE AMAR”
“UMA LONGA QUEDA”
“CAKE”
“ROMEU&JULIET”
“GENTE COMO A GENTE”
“GIRL, INTERRUPTED”
“PEQUENA MISS SUNSHINE”

Bibliografia:
Botega, Rapeli e Cais – Comportamento suicida, in pratica psiquiátrica no hospital Geral. Artmed
Mello MF Et Kohn – epidemiologia das tentativas de suicídio e dos suicídios.
Michel H. Stone – A Cura da Mente.
Ana Beatriz Barbosa Silva – Mentes depressivas – As três dimensões da doença do século.

(Os artigos publicados refletem a opinião do autor)

Carmem S. M. Palazzo –Psiquiatra /Psicoterapeuta/ Medica do Trabalho

Deixe uma resposta

Fechar Menu