Dia Mundial do Trabalho

01 de Maio – Dia Mundial do Trabalho – Fortalecendo a consciência sobre a importância da Saúde e Segurança para todos os Trabalhadores

 

O Dia Mundial do Trabalho tem assumido um papel cada vez mais relevante à medida que a consciência  sobre a importância da saúde e segurança no ambiente de trabalho cresce consideravelmente. Essa mudança na mentalidade reflete uma transformação fundamental na percepção da sociedade, em especial das organizações, sobre o trabalho e seu impacto na vida das pessoas, e estão cada vez mais conscientes de que investir na proteção e no bem-estar de seus funcionários não é apenas uma questão ética, mas também uma estratégia inteligente de negócios, já que trabalhadores saudáveis e seguros tendem a ser mais produtivos, comprometidos e leais, o que contribui para o sucesso a longo prazo das empresas.

 

Essa mudança cultural foi impulsionada por avanços tecnológicos que possibilitaram uma melhor monitorização das condições de trabalho e uma resposta mais eficaz a possíveis riscos à saúde e segurança. Desde sistemas de monitoramento de dados até dispositivos vestíveis que acompanham os sinais vitais dos trabalhadores, a tecnologia desempenhou um papel essencial na promoção de ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis.

 

Iniciativas governamentais e regulamentações mais rigorosas têm colaborado para elevar os padrões de saúde e segurança no local de trabalho em muitos países, e programas de capacitação e fiscalização eficiente têm sido fundamentais para proteger os direitos dos trabalhadores e garantir que as empresas cumpram suas obrigações.

 

Apesar dos avanços, ainda há muito por fazer. A pandemia de COVID-19 ressaltou ainda mais a importância da saúde e segurança no trabalho, com medidas e protocolos de higiene tornando-se essenciais para proteger os trabalhadores. À medida que nos recuperamos dessa crise global, é crucial continuar priorizando a saúde e a segurança no local de trabalho.

 

Individualmente, as doenças ocupacionais e os acidentes de trabalho podem acarretar dor física e emocional aos trabalhadores, comprometendo sua qualidade de vida e habilidade de prover para si mesmos e suas famílias. Lesões sérias podem resultar em longos períodos de recuperação, incapacidade de retomar o trabalho anterior ou até mesmo na impossibilidade permanente para trabalhar. Isso pode ter um impacto devastador na autoestima, saúde mental e bem-estar geral do indivíduo.

 

Além disso, tanto as doenças  como os acidentes de trabalho têm implicações financeiras significativas para as empresas. No âmbito macroeconômico, os acidentes e doenças do trabalho resultam na perda de capital humano e produtividade para a economia como um todo. Além do que, os sistemas de saúde são sobrecarregados com o tratamento de lesões relacionadas ao trabalho, o que pode impactar negativamente a qualidade e a disponibilidade dos serviços de saúde para toda a população. De acordo com um dos últimos reportes emitidos pela ILO – International Labour Organization, o impacto econômico dos acidentes de trabalho é enorme: mortes, lesões e absenteísmo relacionado a acidente de trabalho custam mais de 3 trilhões de dólares ao ano!

 

Os acidentes de trabalho têm, também, um custo social, com consequências que ultrapassam os limites do ambiente de trabalho. Famílias são afetadas emocional e financeiramente, comunidades perdem membros ativos e contribuintes, e a confiança na segurança e responsabilidade das empresas pode ser abalada.

 

No recente 34º Congresso Internacional em Saúde Ocupacional da ICOH – que está acontecendo em Marrakesh nesta semana, notamos falas contundentes sobre a necessidade de continuarmos na luta em busca de mais saúde, de atenção e reforço na prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, em especial do câncer, como também atenção aos problemas que afetam vários continentes – como a ocorrência de desastres naturais, conflitos e guerras, emergências públicas de saúde (ex: malária, covid-19, Dengue, etc.), os problemas demográficos relativos a idade, gênero, migração, mudanças climáticas, e não esquecendo da dificuldade de se demonstrar o retorno sobre o investimento à alta direção das empresas, dificuldade esta trazida na fala de Stéphane Pimbert – Diretor Geral da INRS (National Institute of Research and Security) França, o qual refere que, ao avaliarmos o impacto e a eficiência da política de prevenção no trabalho, temos que nos atentar aos seguintes pontos:

 

  • A avaliação estatística dos dados é uma abordagem essencial para demonstrar a contribuição das ações para a prevenção em segurança e saúde ocupacional.
  • Essa avaliação é genuinamente útil para analisar as ações realizadas, seus resultados e para interromper, modificar ou melhorar essas ações.
  • A avaliação estatística dos impactos e resultados das ações é cada vez mais exigida pelos tomadores de decisão e formuladores de políticas para financiamento.

 

Durante o Global Policy Forum ocorrido neste congresso, foi apresentado que as prioridades estratégicas para os países europeus quanto a saúde ocupacional para os próximos anos serão: vida profissional mais longa, vulnerabilidades relacionadas à idade, responsabilidades  sobre cuidado, e mudanças  na economia, empregos e saúde da população em idade ativa.

 

Já quanto aos países da América Latina, discussões foram levantadas sobre a importância dos Stakeholders estarem envolvidos para avançar na SST e nos cuidados de saúde dos trabalhadores. Como também, exposto que algumas boas ações foram implementadas na América do Sul, como:

 

  • Ratificações da OIT C190 – Violência e Assédio (Argentina, Chile, Equador, Peru, Uruguai).
  • Lista atualizada de doenças ocupacionais (Brasil, 2023).
  • Expansão dos serviços básicos de Saude Ocupacional e programas de treinamento para a PHC.

 

No entanto, desafios significativos continuam a ocorrer nesta última década na América Latina, em especial no Brasil, como a piora de condições de trabalho (ex: trabalho informal, uberização, etc), mudanças na legislação do trabalho, mudanças no cenário econômico como ocorrido na Argentina, êxodo urbano, instabilidade política, emergências climáticas e piora da pobreza após a pandemia.

 

Neste Dia Mundial do Trabalho, devemos celebrar os avanços na promoção de ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis, ao mesmo tempo em que renovamos nosso compromisso de lutar por um futuro onde todos os trabalhadores possam desfrutar de condições dignas e seguras em seus empregos. Somente através do esforço conjunto de empresas, governos, trabalhadores e comunidades podemos verdadeiramente construir um mundo onde o trabalho seja fonte de realização e prosperidade para todos.

 

Dra. Adriana Jardim Arias Pereira

Médica formada em Medicina do Trabalho pela UNICAMP, Especialista pela ANAMT/AMB. Pos-graduada em Higiene Ocupacional e MBA em Data Science & Analytics pela USP. Co-founder da Science Data.ai. Sub-coordenadora e Profª do curso de Pos-graduação em Medicina do Trabalho da Fac. Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein. Profª colaboradora da Fac. de Medicina de Jundiaí, do Instituto iZeta, Centro Universitário São Camilo, e da FUNORTE. Membro da Comissão Científica da APMT, do ICOH – International Commission on Occupational Health, do GESC – Grupo de Estudos de Saúde Corporativa, e da ABTMS – Associação Brasileira de Telemedicina e Telessaúde. Gestora de Saúde Corporativa de grandes empresas.

 

 

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