Novembro Azul

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Octávio Augusto Camilo de Oliveira

Especialista em Medicina do Trabalho CNRM/AMB/ANAMT

Coordenador Médico – Hospital Sírio-Libanês

 

Mais de um terço dos homens não cuidam da própria saúde, indica o Ministério da Saúde. Uma pesquisa mais recente mostrou que, apesar de o urologista ser visto por 37% dos entrevistados como o médico do homem, 59% não costumam manter consultas periódicas de saúde.

 

Um em cada seis homens desenvolverá o câncer de próstata ao longo da vida. No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). A incidência da doença no ano de 2018 foi de 68.220 casos (INCA) e o número de mortes foi de 15.391 (SIM)

 

É considerado um câncer da terceira idade, já que 75% dos casos do mundo ocorrem a partir dos 65 anos. O aumento observado nas taxas de incidência no Brasil pode ser parcialmente justificado pela evolução dos métodos diagnósticos (exames), pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação do país e pelo aumento na expectativa de vida.

 

Alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte. A maioria, porém, cresce de forma tão lenta (leva cerca de 15 anos para atingir 1 cm³ ) que não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem.

 

Fatores que aumentam o risco para doença: idade acima de 50 anos, pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos, excesso de gordura corporal, sedentarismo e exposição a aminas aromáticas (comuns nas indústrias química, mecânica e de transformação de alumínio) arsênio (usado como conservante de madeira e como agrotóxico), produtos de petróleo, motor de escape de veículo, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA), fuligem e dioxinas estão associadas ao câncer de próstata.

 

Sinais e sintomas: Em sua fase inicial, o câncer da próstata tem evolução silenciosa. Muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata (dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite). Na fase avançada, pode provocar dor óssea, sintomas urinários ou, quando mais grave, infecção generalizada ou insuficiência renal.

 

Detecção precoce: quando diagnosticados em fase inicial e tratados corretamente, mais de 80% dos cânceres de próstata apresentam cura. A detecção pode ser feita por meio da investigação, com exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença (diagnóstico precoce), ou com o uso de exames periódicos em pessoas sem sinais ou sintomas (rastreamento), mas pertencentes a grupos com maior chance de ter a doença. No caso do câncer de próstata, esses exames são o toque retal e o exame de sangue para avaliar a dosagem do PSA (antígeno prostático específico).

 

Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de próstata traga mais benefícios do que riscos.

Portanto, para população assintomática e sem histórico familiar da doença, não se recomenda a realização de exames de rotina como PSA ou toque retal com essa finalidade.

 

A Sociedade Brasileira de Urologia mantém sua recomendação de que homens a partir dos 50 anos devem procurar um profissional especializado para avaliação individualizada. Aqueles da raça negra ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar aos 45 anos. O rastreamento deve ser realizado após ampla discussão de riscos e potenciais benefícios, em decisão compartilhada com o paciente. Após os 75 anos, poderá ser realizado apenas para aqueles com expectativa de vida acima de 10 anos.

 

Já o diagnóstico precoce desse tipo de câncer possibilita melhores resultados no tratamento e deve ser buscado quando da investigação de sinais e sintomas como:

  • Dificuldade de urinar
  • Diminuição do jato de urina
  • Necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite
  • Sangue na urina

 

Na maior parte das vezes, esses sintomas não são causados por câncer, mas é importante que eles sejam investigados por um médico.

 

Tratamento: várias são as modalidades terapêuticas e envolvem cirurgia, radioterapia, terapia hormonal, cirurgia ou até mesmo observação vigilante. A escolha do melhor tratamento é feita individualmente, por médico especializado, caso a caso, após definir quais os riscos, benefícios e melhores resultados para cada paciente, conforme estágio da doença e condições clínicas do paciente.

 

Prevenção: Já está comprovado que uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, e com menos gordura, principalmente as de origem animal, ajuda a diminuir o risco de câncer, como também de outras doenças crônicas não-transmissíveis. Nesse sentido, outros hábitos saudáveis também são recomendados, como fazer, no mínimo, 30 minutos diários de atividade física, manter o peso adequado à altura, diminuir o consumo de álcool e não fumar.

 

Referências:

1 – Ministério da Saúde: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/cancer-de-prostata

2 – USTaskForce. Prostate Cancer Screening Final Recommendation, 2018. Disponível em: https://screeningforprostatecancer.org/

3 – Instituto Nacional do Câncer: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-prostata

4 – WORLD HEALTH ORGANIZATION. Prevention. Geneva, 2007. (Cancer control: knowledge into action: WHO guide for effective programmes). Disponível em: < http://www.who.int/cancer/publications/cancer_control_detection/en/>.

5 – Nota Oficial 2018 – Rastreamento do Câncer de Próstata – Sociedade Brasileira de Urologia. Disponível em: www.portaldaurologia.org.br

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